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sábado, 25 de maio de 2013

Semente

Eu tinha uma semente, só uma.
Mas mesmo assim eu a plantei.
Cuidamos juntos, vimos crescer, regamos todos os dias um pouquinho.
De um broto, eu vi nascer uma floresta.
Você disse que ia buscar mais água, ficava longe, mas voltaria no fim de semana pra regar junto comigo.
E depois eu fiquei só, cuidando de uma floresta inteira sozinho.
Tudo aquilo que eu plantei e nós cultivamos juntos, tende a morrer.
Tenho que ver morrer tudo aquilo que eu cultivei com você, porque não é coisa pra uma pessoa só cuidar.
Não vai morrer de uma hora para a outra e eu vou cuidar enquanto der, prometo.
Mas tudo o que poderei salvar é uma semente. Porque eu não quero nada demais.
Apenas quero ter o bastante pra transformar a paisagem desértica que ficará depois.
E uma semente basta quando estamos dispostos a cultivar o que é belo.
Onde você foi?
O que a gente plantou, precisa de nós dois pra viver e está bonito demais para deixar morrer.



sábado, 11 de maio de 2013

Metade de mim, é você!

Antes, éramos dois.
Depois, viramos um.
Mas se o fim chegar, viramos metades.
Nunca mais seremos completos como antes.
Se voltássemos a ser o que éramos, a dor seria mais suportável.
Mas, como viver com meio coração, meia vida e meia vontade de viver?
"Metade" é uma palavra que remete a ideia de dependência da outra parte.
E se um ser humano for uma metade, a outra só poderá ser da mesma espécie, com carne, osso, sangue e, principalmente, coração. Sim, às vezes até ignorando o cérebro.
Aliás, sempre ignorando o cérebro, porque pensar em alguma coisa em certas horas é inútil e até mesmo burrice.
Eu estou aqui, mas posso estar aí. Basta pensar na hipótese de estarmos lado-a-lado.
Eu vivo em mim, mas posso viver em você. Basta me abrir um espaço no seu coração.
Eu estou triste, mas posso sorrir. Basta você sorrir e deixar eu ver.
Eu sou metade, mas posso ser completo. Basta a gente se ter. Porque a outra metade de mim... é você!